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3/13/2006

Brokeback Moutain


Demoramos mas estamos de volta. Tiramos uma breve ferias, mas tentaremos voltar com tudo agora. Pra voltarmos, falarei um pouco sobre este filme. Abraço a todos.

“Uma história de amor sobre o relacionamento de dois jovens, um rancheiro do Wyoming e um vaqueiro de rodeio, que se encontram no verão de 1963, e nos anos seguintes lutam secretamente para entender e manter o amor que nutrem um pelo outro.”

O controverso diretor taiwanes Ang Lee, que já dirigiu filmes extremamente opostos como “O tigre e o dragão (2000)” e “hulk (2003)”, nos apresenta uma produção um tanto quanto polêmica. Porém, essa é a idéia que temos antes de vermos o filme. Pois apesar de ser um tema um tanto quanto conturbado, o diretor, conseguiu nos transparecer isso em uma simples forma de amor.

É uma historia de amor gay, mas que não fica apenas nisso. Ela retrata muito mais valores humanos do que apenas a opção sexual de dois rapazes. No filme temos desde as necessidades sexuais de um homem, até o mais profundo sentimento.

Jack Twist nos é apresentado como o mais sensível, o mais sentimental, aquele que faria e largaria tudo, pra alcançar seu objetivo principal, que é ter uma vida sossegada e feliz com Ennie Del Mar. Esse que nos é apresentado como o mais “bruto”, uma pessoa que segue a linha de uma família com princípios conservadores,(especialmente seu pai). Mas na verdade, ao decorrer do filme, percebemos uma pessoa totalmente reprimida e introspectiva, que vive de lembranças de seu pai, e os conselhos do mesmo.

Brokeback Moutain é o palco do inicio do relacionamento do casal. E mesmo no termino da viajem, continua sendo o lugar de encontro deles, o que é interessante, pois quase tudo acontece naquela montanha, então, soa como se ela fizesse parte da relação. Tão importante como ambos. Lá é um refugio, onde eles podem ter uma certa paz, paz que eles gostariam de poder ter sempre, no dia a dia.

Esteticamente, o filme não foge muito dos padrões de hoje em dia. Em momentos, devido aos planos abertos mostrando grandes paisagens, parece mesmo que estamos vendo um filme de western moderno. Porém, temos mais essa sensação no começo, pois enquanto o filme vai avançando, essa preocupação com espaço/tempo (no começo, o filme tem um ritmo um pouco mais lento) vai ficando de lado, sem muito a acrescentar.

Um filme polêmico, onde contamos com duas atuações de muita expressão, sendo que o diretor conseguiu fazer de uma historia que chega a ser bizarra, um filme que nos pareça absolutamente normal.

Mas o que não podemos deixar de pensar, que o filme conta com a fórmula perfeita pra ganhar o Oscar e outros prêmios. Formula que junta um tema polêmico, porém sem grandes difíceis interpretações no roteiro, com duas grandes atuações, onde a narrativa soa perfeitamente fácil e entendível, com um “começo-meio-fim” muito claro, sem fazer nossa cabeça trabalhar muito.

O filme peca em querer demonstrar o instinto selvagem deles antes da trama se desenvolver, mostrar que eles eram machões. Isso poderia ter sido de forma mais sutil e menos jogada na nossa cara. Não é um filme para refletir muito depois de vê-lo, é um filme feito pra ser, e deve ser totalmente aproveitado no momento em que se assiste. Não nos proporciona nem uma pequena reflexão sobre a historia em sí depois que assistimos, mas uma reflexão pessoal talvez. Talvez pelo fato de o filme ser uma critica a um estilo de vida conservador e arcaico, onde é mais bonito ter a cabeça fechada ás novas idéias, do que uma mente livre. Uma critica aos norte-americanos, e ao seu modo de vida um tanto quanto ultrapassado, em determinadas situações? Sutilmente, eu diria que sim.

Porém, ao começar a refletir, cheguei a conclusão, de que o diretor quis ser ousado, mas não quis desagradar ninguém. Ele pegou um tema polêmico dando uma cutucadinha nos EUA. Mas é uma historia que se acontecesse na vida real, não seria nada dessa maneira. Ou seja, ele colocou uma máscara sobre o filme, pra ficar mais bonitinho. Faltou mais um pouco de coragem.

Uma historia completamente normal com um desfecho triste, se não fosse pelo homossexualismo.

3 Comments:

Anonymous felipe said...

hmmm realmente seria um filme normal se nao fosse pelo fato de serem dois gays , se um deles fosse substituido por uma mulher e se tornasse uma relaçao hetero o filme seria comum ate demais
tirando a ignorancia de pessoas que saem do cinema ao verem o beijo gay, valeu muito a pena ter pago 14 reais pra ver o filme

1:49 PM  
Anonymous Moni:. said...

meu comentario se baseia no seu! eu não assisti ao filme, uma pena, ainda, mas por outras críticas que ouvi e vi, vc tem total razão, com toda clareza possivel( parabens tutu, vc é um critico nato!;)
nas suas reflexoes. Uma amiga minha achou o filme com cara de sessao da tarde, justamente!foi o que vc colocou;o diretor quis ser simples ao passar uma historia complicada e controversa( pelo preconceito, especialmente nos eua), e conseguiu!não é um filme muito dificil, qse um passatempo como os filmecos q rodam na globo! mas ele é sensivel e verdadeiro(sim pq ñ?!), acontece isso camufladamente ou hipocritamente nos dias de hj!o homossexualismo é como o heterossexualismo, tem seus dilemas e particularidades!
bom, ja escrevi demais, vou rasgar a seda la no orkut blz!?
bjs* e parabens, voltou com tuudo!

4:59 PM  
Anonymous Jac said...

Olha!!! Tutu tá chique =P

Parece uma crítica cinematográfica profissional. E diria até que é um pouco mais legal e sensível que estas, pois além de abranger aspectos técnicos (que eu desconheço e admiro o seu conhecimento a respeito), também abrange a parte que nós, "normais", vemos...

Muito bom, mocinho!!!

E sim, concordo com a sua visão do filme...é uma típica historinha de amor...(que para mim, não se diferencia em absolutamente nada de uma história romântica hetero...)

Beijos!!!

5:23 PM  

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